quinta-feira, dezembro 22, 2005

Agradecimentos

Os agradecimentos que faço são decorrentes do último fim-de-semana. Teria que agradecer a muitas mais pessoas se fosse agradecer pela minha vida toda:

Quero agradecer em primeiro ao André Oliva, por me ter ensinado, ao sê-lo, que o melhor director não precisa de berrar, não precisa de stressar, não precisa de controlar. Confia na equipe que escolheu e portanto delega.

Quero agradecer à Mafalda, por me ter ensinado que não é preciso gostar de todo o mundo, que só é preciso ser simpático com quem nos preocupamos e educado com os demais. Nem toda a gente merece o nosso sorriso e dá-lo a quem merece é mais valorizado.

Quero agradecer ao Bruno, por me ter ensinado que a Verdade acima de tudo é libertadora. Que a verdade da mentira doí menos que a mentira da verdade. Que alguém verdadeiro é sempre alguém de confiança.

E por fim, quero agradecer à minha irmã. Pela sua genuídade, por ser genuína a cada passo que cada, por não ter medo do embaraço, por não se preocupar com as opiniões, por sempre se procurar sentir bem com ela, através dos seus olhos e não dos olhos dos demais.

A estes 4 por neste último fim-de-semana terem-me ajudado a suportar uma dura realidade: Muito Obrigado

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Imagina só

Imagina que acordavas ao meu lado.
Imagina que eu te dava um beijo para acordares, que eu te sussurava o quanto te amo.
Imagina que te apertava entre os meus braços, que tu te contorcias para te encaixares em mim.
Imagina que as minhas pernas se entrelaçavam nas tuas, que os nossos corpos finalmente se uniam.
Imagina que eu te fazia cócegas e tu respondias e trincavas-me.
Imagina que tu finalmente acordavas, que me olhavas com um desespero apaixonado, pegavas na minha mão e me levavas para tomar banho.
Imagina que depois dele me beijavas mais uma vez, que me trincavas mais uma vez, que me abraçavas mais uma vez.
Imagina que me sussuravas ao ouvido, amo-te
Imagina só

quarta-feira, novembro 30, 2005

Por que isto tinha mesmo que aqui estar

esta é a versão brasileira do Blower's Daughter. Apareceu pela primeira vez cantada pela Ana Carolina e pelo Seu Jorge, versão que ainda não ouvi. Mas rápidamente se espalhou para os outros tipo e eu já ouvi a versão sertaneja desta música e acreditem vale a pena ouvir, só pelo prazer que se tira em soltar umas boas gargalhadas. Deixo-vos então com esta pequena maravilha:

É isso aí

É isso aí
Como a gente achou que ia ser
A vida tão simples é boa
Quase sempre
É isso aí
Os passos vão pelas ruas
E nem reparou na lua
A vida sempre continua

Eu não sei parar de te olhar
Eu não sei parar de te olhar
Não vou parar de olhar
Eu não me canso de olhar
Não sei parar
De te olhar

É isso aí
Há quem acredite em milagres
Há quem cometa maldades
Há quem não saiba dizer a verdade
É isso aí
Um vendedor de flores
Ensinar seus filhos a escolher seus amores

Eu não sei parar de te olhar
Eu não sei parar de te olhar
Não vou parar de te olhar
Eu não me canso de olhar
Não vou parar de te olhar

(sim e retiraram aquele último final de frase, que apesar de muito cruel, sempre foi o que deu pinta à música)

segunda-feira, novembro 28, 2005

Os melhores momentos

A Pestana a queimar a carteira a tentar acender o cigarro

O Gonçalo a ser mordido no mamilo por um peixe

Ver o Pai Natal a assistir à missa

Acordar ao som do mar

Ver tartarugas no mar

Ver um colibri à minha frente

A saia da Mafalda subir-lhe até ao pescoço, num momento muito Monroe

sábado, novembro 26, 2005

Daqui do Brasil

Aqui do Brasil, só me ocorre recorrer ao soneto deste grande mestre:


SONETO DO AMOR TOTAL
(Vinícius de Moraes)

Amo-te tanto, meu amor...não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade

Amo-te enfim, de um calmo amor presente,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e cada instante

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

domingo, outubro 30, 2005

Poema

Ia colar aqui um poema de outra pessoa. Ainda não sabia qual nem de quem.
Depois decidi escrever um meu e dizer coisas como:
" Que o dia em que tu apareceste
Se inscreva no mundo
Que esse dia seja celebrado
E nossos corpos não se separem.

Que tu permaneças onde te quero
Que tu fiques porque tu queres
Que eu abra os braços para o teu cheiro
Que as tuas pernas descansem solenes "

Apercebi-me que hoje não era um bom dia para escrever poemas.
Fui à procura e encontrei o que te dizer:
Are you looking for answers
To questions under the stars?
Well, if along the way
You are grown weary
You can rest with me until
A brighter day and you're okay

I am no Superman
I have no answers for you
I am no hero
Oh, that's for sure
But I do know one thing
Is where you are is where I belong
I do know where you go Is where I want to be

Mas hoje apetece-me escrever...

Queria saber tocar viola... Queria saber tocá-la sem parar. Saber músicas adequadas ao ambiente. Saber tocar o Horas Extraordinárias, o Where are you going, dedilhar o #41, saber com pequenos acordes tocar pessoas. Saber quando devemos insistir e fazer chorar alguém ou quando devemos quebrar o ambiente e furiosamente tocar: "és tão boa".
Às vezes é tão bom não termos que usar as nossas palavras, recorrer as de outrém para tão habilmente dizer aquilo que pensamos.
Claro que não se aprende a olhar, aprende-se a treinar, e o meu treino é nenhum.
Enquanto não souber tocar, vou continuar a dizer-te ao ouvido: "Can't take my eyes of you".

Mundo Meu

Já não escrevo aqui a demasiado tempo.
Não sei o que se passa.
Acho que estou numa fase que é muito minha...
Que é de sussurros...
Que é de horas extraordinárias...
Não ando com vontade de gritar ao mundo.
Encontrei um mundo que é grande, que é meu e onde posso dormir em conchinha.
Encontrei um mundo onde dou voltas...
Não tenho tido tempo para escrever, ando a sentir e a viver.

quinta-feira, setembro 08, 2005

Só para ti Chita

Sometimes I shave my legs and sometimes I don’t
SometimesI comb my hair and sometimes I won’t
Depend of how the wind blows I might even paint my toes
It really just depends on whatever feels good in my soul

I’m not the average girl from your video
And I ain’t built like a supermodel
But I learned to love myself unconditionally,
Because I am a queen
I not the average girl from yourvideo
My worth is not determined by the price of my clothes
No matter what I’m wearing I will always be
India.Arie (Chita)

When I look in the mirror and the only one there is me
Every freckle on my face is where it’s suppose to be
And I know my creator didn’t make no mistakes on me
My feet, my thighs, my Lips, my eyes, I’m loving what I see

Am I less of a lady if Idon’t where panty hose
My momma said a lady ain’t what she wears but what she knows…
But I’ve drawn the conclusion, it’s all an illusion
Confusion’s the name of the game
A misconception, a vast deception,
Something got to change

Now don’t be offended this is all my opinion
Ain’t nothing that I’m saying law
This is a true confession
Of a life learned lesson
I was sent here to share with y'all
So get in when you fit in
Go on and shine
Clear your mind
Now’s the time
Put your salt on the shelf
Goon and love yourself
‘Cause everything’s gonna be alright

Keep your fancy drink, and your expensive minks
I don’t need that to have a good time
Keep your expensive cars and your caviar
All’s I need is my guitar
Keep your crystal and your pistol
I’d rather have a pretty piece of crystal
Don’t need you silicone, I prefer my own
What god gave me is just fine

terça-feira, setembro 06, 2005

Memórias Apagadas

Hoje queria-te só para mim.
Hoje queria que todos os teus passados se desaparecessem. Queria ver findadas as recordações que insistem em permanecer. Queria ver cartas de amor em branco, queria ver juras de amor inexistentes.
São pequenos momentos da tua vida que vão aparecendo de rasteiro. São aquelas cartas que eu queria ver escritas a mim, os poemas que nunca me dedicaste ou aquela juras de amor eterno que eu queria como só minhas.
O teu passado é o que tu és, mas eu queria que ele só o fosse desde que nos vimos.
Não quero nem nada, nem ninguém a deixar marcas indesejadas, a deixar rastros perceptíveis, a deixar nomes gravados em páginas escritas.
Hoje queria que me lesses um poema. Queria que esse poema fosse do passado. Queria que esse poema-passado fosse só nosso até ao futuro.

sexta-feira, setembro 02, 2005

Chegada

Poucas vezes estive tão certo do meu trajecto.
Poucas vezes estive tão seguro do meu caminho.
Foram muitas as vezes que caminhei sem andar e noutras tantas andei sem chegar. Passei pessoas, casas, abrigos e construções. Passei homens e mulheres, crianças, janelas de emoções. Já parei e já corri, já me sentei e já vi. Observei, bebi, comi e admirei. A vida não parava em mim e eu não parava na vida.
Hoje é diferente.
Hoje o caminho é em frente.
Hoje sou eu que comando, hoje sou eu que decido, hoje sou eu que mando. Hoje não vou parar, hoje não vai acabar.
Hoje tomei um rumo, hoje decidi mudar, hoje com aprumo decidi onde quero chegar...

sexta-feira, agosto 05, 2005

Saudade

Tenho saudade de ti
Porque me envolves com essa prontidão
Porque tratas de mim
E eu não.

Porque me dás com prazer
Vagas de devoção
E a inconsistência do teu querer
Dá à inevitabilidade do meu ser
Uma certeza sem senão.

Tenho saudade de te
Envolver com esta prontidão
Porque eu trato de ti
E tu não.

Há muito tempo atrás escrevi este texto

Como um cego que não vê, não cheiro; como um surdo que não ouve, não cheiro; como um mudo que não fala, não cheiro; como um paraplégico que não anda, não cheiro. Não cheiro omar, as flores, os cabelos, os perfumes, a comida e tudo o que me rodeia. É assim que eu passo os meus dias, mas não é assim que passo as minhas noites.
Nas noites escuras pintadas de um negro negro, no refúgio da minha cama, os meus olhos desfalecem e eu entro num sonho mágico, um sonho que me devolve ao dia e é aí que eu passo as noites dos meus dias.
A caminho da praia os carros passam e deixam um leve perfume, um fumo intenso, mas um leve perfume a pequenos gases queimados. Eu inalo profundamente este cheiro para que ele se torne meu conhecido. A seguir, uma mulher que se dirige para mim numa corrida veloz pára à minha frente e eu cheiro o suor que lhe escorre pela delicada pele. De repente, parou e volta a arrancar e os seus cabelosondulantes batem-me na cara e largam um perfume de doces camomilas e ásperos alperces, e eu inalo profundamente este cheiro para que ele se torne meu conhecido.
Agora que me aproximo do mar, a sua brisa ataca-me com leves salpicos de água dura e o seu perfume une-se com os dos peixes dando a mais harmoniosa ligação, e eu inalo profundamente este cheiro para que ele se torne meu conhecido. E ao longo do mar os cães vêm ter comigo e lambem-me, e a sua língua arrasta a minha pele. O seu cheiro intenso a mãos que lhe coçaram o pêlo é magnífico, e eu inalo profundamente este cheiro para que ele se torne meu conhecido. Continuo sem parar porque o despertador ainda não tocoue eu ainda não acordei. Passo os restaurantes e o cheiro a comida é maioritário. Os fritos, os cozidos, os assados, transformam-se apenas num, e eu inalo profundamente este cheiro para que ele se torne meu conhecido. Assim, chego ao jardim onde as crianças brincam, as flores nascem, e o cheiro a reina, pego numa flor e levo-a a uma criança para que ele limpe o desperdício de cheiros que calcou, e eu inalo profundamente este cheiro para que ele se torne meu conhecido.
E acordo e durante um segundo todos estes cheiros se reúnem e eu consigo cheirar, mas depressa eles se vão, e eu espero. Espero que o dia passe rápido para que eu possa cheirar, nem que seja por uns breves instantes no meu sonho perfumado...
10º A (tinha eu 15 anos)

domingo, julho 10, 2005

No Comments

"Estou aqui, sou a tua terra, planta em mim o que quiseres, estou certo que os frutos serão abundantes!"

segunda-feira, julho 04, 2005

Perfeito

Sabe bem ter-te por perto
Sabe bem tudo tão certo
Sabe bem quando te espero
Sabe bem beber quem quero

Quase que não chegava
A tempo de me deliciar
Quase que não chegava
A horas de te abraçar
Quase que não recebia
A prenda prometida
Quase que não devia
Existir tal companhia

Não me lembras o céu
Nem nada que se pareça
Não me lembras a lua
Nem nada que se escureça
Se um dia me sinto nua
Tomara que a terra estremeça
Que a minha boca na tua
Eu confesso não sai da cabeça

Se um beijo é quase perfeito
Perdidos num rio sem leito
Que dirá se o tempo nos der
O tempo a que temos direito

Se um dia um anjo fizer
A seta bater-te no peito
Se um dia o diabo quiser
Faremos o crime perfeito

(donna Maria- Quase perfeito)

AMOR


Isto sim é amor.
Amor do verdadeiro, aquele que não é o primeiro.
Amor do verdadeiro.
Amor sem entranhas.
Amor do coração.
Amor que sem razão me faz querer ser o primeiro.
Amor de beijos inocentes, amor de beijos poderosos, amor de beijos repentinos, amor de beijos furiosos.
Amor de vida, amor de morte, amor de vida até à morte

Ao MEU anjo-da guarda

eu tenho um anjo
anjo da guarda
que me protege
de noite e de dia
eu não o vejo
eu não o ouço
mas sinto sempre a sua companhia

eu tenho um guarda
que é um anjo
que me protege
de noite e de dia
não usa arma
não usa a força
usa uma luz com que ilumina a minha vida

ele não, não usa arma
ele não, não usa a força
usa uma luz com que ilumina a minha vida

(António Variações)

quarta-feira, junho 22, 2005

O amor é forte como a morte

"O meu amado é para mim e eu sou para ele.
Ele disse-me:"Põe-me como um selo sobre o teu coração, como um selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte e a paixão violenta como o abismo. Os seus ardores são setas d fogo, são chamas divinas. AS águas torrenciais não podem apagar o amor, nem os rios o podem submergir".

(2ª leitura da missa do casamento do meu irmão, Cant. 2,8 ss)

quinta-feira, junho 16, 2005

O sonho

A cama solitária esperava o meu corpo. Tal qual uma amante esquecida espera que eu entre, está fria, já não me deito só à muito tempo. Hoje abraço ninguém, hoje adormeço só, hoje a minha cabeça reclina-se na almofada gélida da solidão.
Tento adormecer mas os meus pés irrequietos procuram desesperadamente aquele que é o seu caminho: as tuas pernas. As minhas mãos solitárias procuram a sua certeza: o teu peito. A minha boca procura a fonte da minha força: a tua boca.
E quando adormeço, e dizes tu que eu adormeço rápido, tu voltas a aparecer. E apareces em todo o teu esplendor. Arrebatas as minhas dúvidas como sempre o fizeste. És pura magia! És o princípio e o fim e é assim que quero que seja. És poder, és força. Abraças-me, acalmas-me, dou-te a mão e levas-me a viajar. Não foi contigo que o aprendi a fazer mas foste tu que me levaste às melhores viagens. Viagens sem tempo, sem destino, viagens em que o que interessa é o caminho, viagens amargas, viagens prazeirosas, viagens em que o que importa é o carinho. És o que eu procurei, serás o que achei, em mim terás o que buscavas, em ti terei o que desejava.
Hei-de perseguir-te como uma sombra, hei-de acompanhar-te com fidelidade, serei teu e espero que tu me pertenças. Serei incapaz de te esquecer porque me invadiste. E tu serás incapaz de me esquecer porque te calei.
Respiro...
Acordo...
Tu não estás aqui, mas sei que existes e sei que um dia vou adormecer e acordar a teu lado...
Espero...
Não me canso...

quinta-feira, junho 09, 2005

Porque te amo

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não

Sophia de Mello Breyner Andersen